Estúpido Rapaz...
Essa história não tem nenhuma ligação com a realidade. Muito menos com a ficção.
Sou daqueles que não acredita em milagres, pelo menos não é de costume acontecer comigo.
Mês passado estava saindo da casa da minha irmã, numa costumeira visita. Andei quinze passos da porta em direção ao portão. Foi nesse momento que avistei uma aterrorizante figura aguardando... Era o feroz cão do vizinho. Pastor alemão... O cachorro, não o vizinho. Tinha escapado. Paralisei! O portão estava entreaberto, e eu ali no meio, a cinco passos daquela fera.
O animal me olhava com fúria e esperava qualquer intenção de movimento pra me atacar. Eu suava e calculava se era mais fácil eu correr pra tentar fechar o portão, antes que ele me alcançasse ou voltar para dentro da casa. Qualquer das alternativas eu seria alvejado pelo cão e isso não seria muito agradável; pelo menos pra mim. Indefeso, tendo em vista aqueles enormes dentes afiados, e eu, nem unhas pra me defender tenho.
O maior problema de se levar uma mordida de cachorro é aquela vacina antitetânica. Certa vez um poodle me mordeu no tornozelo. Doeu pouco, mas o pior foi aquelas onze injeções que tomei depois. Aquele sofrimento estava por vir novamente, só que desta vez não era um poodle.
Quando estamos frente-a-frente com a morte, tudo que já fizemos passa como um flash na nossa cabeça. Nunca fiz nada de importante, logo, decidi enfrentar meu destino e andei lentamente em direção do portão.
Uma luz se abriu no céu, e naquele momento dramático, um mendigo totalmente bêbado passou na rua. O quadrúpede desviou seu olhar assassino para o ele. Atacou o pobre coitado com tamanha vontade e agilidade que, imagino eu, não era a primeira vez que fazia aquilo, era experiente, um profissional na coisa.
Fechei o portão e esperei o dono do cachorro se dar conta do acontecido. Salvou o que restava de vida naquele senhor mambembe. Agradeci aos céus por não ter sido eu o atacado. Era para ser o meu milagre! Era...
Acontece que ontem estava voltando do restaurante onde almoço e encontrei o “mendigo”, andando (incrível), estava de terno, logo imaginei que havia virado crente depois de sobreviver. Que nada. Ele ganhou uma bolada na justiça e tudo isso porque perdeu dois dedos da mão esquerda. Entrou no seu carro zero quilômetro e foi embora. Fiquei me questionando... Por que um ex-mendigo compraria um carro quatro portas, sendo ele sozinho na vida? Bom, isso é pra se pensar outro dia.
Mas o fato me fez pensar que nunca podemos desperdiçar uma oportunidade na vida... Temos que agarrar e não deixar escapar, mesmo que ela te arranque seus dedos.
Escrito por Pablo às 03h15
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|