Ontem vi Missão Impossível 3, não vou comentar sobre o filme, pois quem faz isso muito bem é meu amigo Burg. Vou falar da minha Missão Impossível.
Há mais de uma semana que um cara quer me entrevistar pra um daqueles cursos de inglês, e, faz mais de uma semana que eu fujo dele, com medo de, mais uma vez, eu seja convencido por alguém a fazer um curso que eu nunca vou terminar. Ontem ele me pegou na porta do meu apartamento. Consegui uma desculpa rápida, sou tão bom em me esquivar dos ataques inimigos quanto o Tom Cruise no filme. Ele remarcou a visita pra hoje de manhã (às 11 horas pra ser mais exato). Sem ação para seus fortes argumentos e técnicas de persuasão não consegui negar. Foi como um tiro no braço.
Tive uma noite complicada, preocupado em como eu escaparia desse novo atentado que se aproximava. A única alternativa era fugir. Quatro horas da manha e eu esperava as horas passarem. Finalmente consegui dormir. Foi uma boa noite de sono, mas quando acordei já era 10h30min! Levantei aos pulos, corri ao banheiro, tomei um bom banho, escovei os dentes, coloquei minha roupa, peguei minha pasta e sai em direção à redação do jornal... Andei rápido, abaixei a cabeça para não ver e nem ser visto, mas quando eu estava há dois quarteirões de distância, lembrei! Não tinha passado desodorante. Era 10h55min!
Como iria chegar em casa, passar o desodorante, e sair de lá sem ser visto pelo vendedor de cursos? Arrisquei e voltei! Mas sem correr, ao contrário do Cruise que vivia correndo no filme, eu voltei andando, sem desodorante correr seria um ato perigoso.
Ao chegar na porta do apê, me deparei com uma vizinha chata, toda vez que ela me vê quer conversar, concentrei na minha meta, desviei de seus ataques, subi as escadas rumo a minha missão. A chave caiu no chão quando ia colocar na porta, assim como em todo filme de ação, peguei com grande velocidade, abri, tinha menos de 2 minutos pra passar o desodorante e sair de lá.
Foi quando escutei passos na escada. Só podia ser ele. Ele era um bom vendedor e chegou mais cedo. Eu atônito em casa, sem saber o que fazer. A campainha tocou. Fiquei parado. Qualquer movimento naquela hora poderia ser fatal. Uma só gota de suor pingando no chão seria suficiente pra alertar a minha presença no local. Após insistentes 10 toques na campainha ele surrupiou. Ligou no meu celular que estava no meu bolso. Droga! Deixei tocar. Certamente ele pensou que eu havia esquecido o aparelho em casa. Afinal, para ele, sou um cara muito ocupado. Ouvi passos descendo as escadas. Ufa, estava livre, consegui. Esperei alguns minutos e desci. Cuidadoso, olhei pra todos os lados e fui para a redação. Na primeira esquina que viro, que eu encontro? Um vendedor da Trimania. Era o ato final, o vilão principal havia sido vencido, agora outro que ninguém esperava voltou à tona. Atacado sorrateiramente com argumentos concretos, quase me deixei levar, um tiro na perna, mas resisti, na minha arma somente uma bala. O tiro tinha que ser certeiro. “Não tenho dinheiro”.
Pronto, senti-me como um dos agentes da IMF (Impossible Missions Force), concluída minha missão, estava pronto pra voltar a minha rotina. Mas sempre atento, pois a qualquer hora do dia e da noite, algum vendedor pode atacar novamente...